paginas se abriram/ lugar certo/ feito daquele ponto de partida um começo/ palavras avançaram a olhos fartos/ o romance foi re-visto pelo avesso/ ação temporal inexata/ a partilha de emoções feita assim mesmo/ percurso de um passado libertado/ as flores deixadas por alí por isso a esmo/ tanto faz se sêcas ou em cumes de montanhas/ importa os olhos vistos de reflexos/ ficam amores estonteantes desconexos/ entre os corpos na memória de contornos/ vãos... entre contornos côncavos e convexos.
Uma das primeiras coisas que o pensamento humano tratou de criar foi a perspectiva de um criador. Desde então, o mundo se divide entre os que acreditam que crêem e os que acreditam que não crêem e Deus permanece intocável naquilo que igualmente desconhecemos, graças a ele permanecemos confortalvelmente seguros nesta privilegiada condição... somos imperfeitos... sendo assim absolutamente livres para crer e criar...
domingo, 10 de fevereiro de 2013
O Chão
O chão das alpargatas de uma eternidade vencida
Passa o rastro de um presente ao avesso
Ao passo que ruma a distanciar-se naturalmente do começo
Traz os percalços do caminho que em si se nos mostram
Tropeços, atropelos e topadas
ao acaso desacertos nas raízes das arvores antigas
se elas, as arvores, por si nos dão sombra e frutos
pela jornada tão indispensáveis e oportunamente
em nós na terra em si, nos dão sobressaltados atenção e costume.
na trajetória desandada que vai e que zuni,
a experimentação vital que nos dá sentido, lume,
estrela lançada, flecha, facho, silvo, segredo, olhar atento
ou perfume.
A vida consagra o instante do descobrimento como princípio
nós é que fazemos do viver um ofício,
a natureza nada reconhece
apenas é, como a planta dos pés na areia fria
ou um soprar de primavera na pedra des-a-cor-dada
Marco Lyrio
quinta-feira, 19 de julho de 2012
cultivar coragem
coragem de viver/ medo de morrer/ o pulsar do coração e o movimento circular/ a mente e o encarceramento da alma, deriva/ para cultivar coragem de viver/ aprender a cuidar/ se tornar imprescindível/ o jardineiro por exemplo, sabe: quanto mais tiver por quem ser e o que ser, mais coragem para ressuscitar o desejo de viver.
quinta-feira, 28 de junho de 2012
Imprescindível
a morte esta casa imprópria que a gente passa a vida pagando e sente vai morrer devendo/ a morte esta estrada sinuosa que passa beirando despenhadeiros/ essa ponte de cordas bambas lançadas sobre o abismo/ a morte, esse túnel profundo e escuro, e observe que nem sempre a luz no fim do túnel é o farol de uma locomotiva/ a morte, esse horizonte sobre um muro, traz presente todo dia fazendo-nos futuro. por isso se torna imprescindível que cada um traga sempre sua morte segura, junto consigo/ torna-se imprescindível que eu me mantenha terminante-mente vivo
quarta-feira, 27 de junho de 2012
Posteridade
há um calo dentro de nós/ um eco surdo por entre/ um retrato falado à miúde/ e essa ideia da posteridade alimenta os sonhos/ medonhos nossos passados remotos descontrolam o tino, vez por outra venta zunindo/ vez por essa a suave fragrância das praias desertas paira noturna pelas constâncias da maré/ na tarde alta, a musica na alma gia/ singeleza gestualiza o olhar que não se via/ suspense nágua nos olhos que mareiam foz/ e após nossos desejos recém lavados quarando a luz do dia dando ouvidos à aquela voz...
segunda-feira, 25 de junho de 2012
O Fluxo
mais integrados pelo fluxo de energia vital, conscientes de que somos partes de uma única natureza, podemos valorizar mais os princípios da impermanência e minimizar os efeitos indesejáveis do cultivo das rugas e marcas de expressão, afinal é por nos demoramos mais que o necessário em algumas situações, por retornarmos re-corrente-mente a elas em estado químico de insatisfação, revolta e desgosto que as criamos e tatuamos a sangue frio no outro que não percebemos em nós...
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